segunda-feira

A ARTE E SEU ENSINO

Por Márcia Prochmann de Souza

Há tempos vem se discutido sobre o ensino da Arte nas escolas brasileiras e a formação do professor designado para trabalhar esta disciplina, desde sua inserção e obrigatoriedade no currículo escolar.
Sabendo que a educação em Arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, da percepção e da imaginação, favorecendo a apreensão do conhecimento nas outras áreas, passou a ser vista com outros olhos, porém, percebe-se que seu ensino ainda caminha aos moldes antigos.
Analisando um pouco da história do ensino da Arte, percebe-se a fragilidade da formação do professor. Em muitas escolas ainda se utiliza, por exemplo, o desenho mimeografado com formas estereotipadas para os alunos colorirem, em outras, trabalha-se com a auto-expressão. Sem consciência clara de sua função e sem uma fundamentação teórica consistente de Arte, os professores não conseguem alicerçar sua ação pedagógica; não há material nem espaço físico adequado para as aulas práticas, nem material didático de qualidade para dar subsídios às aulas teóricas.
A LDB cita que o professor deve ter formação superior para atuar na Educação Básica, deixando espaço para uma dúbia interpretação. Um exemplo disso são as escolas municipais, ao não exigirem formação específica para atuarem nas séries iniciais, o professor de Artes pode possuir qualquer formação em licenciatura. Esses profissionais que não possuem a qualificação necessária para assumir esse papel dependem somente de seu esforço para se qualificarem.
O ensino da Arte encontra várias barreiras que acabam desestimulando os professores envolvidos. Em depoimento, duas professoras da escola em que atuo, relatam que um dos problemas que enfrentam é a falta de um local adequado para realizar suas aulas, tendo que utilizar a própria sala de aula dos alunos, o que gera muitas indisposições no ambiente escolar. Para elas “as dificuldades vão engessando o professor, que acabam pensando, quando planejam a aula, em toda a logística envolvida (espaço físico, material, indisciplina e excesso de alunos etc.)”, fato que se agrava no ensino de 5ª a 8ª séries e Ensino Médio, e isto acaba desmotivando-os.
O papel do professor é importante para que os alunos aprendam a fazer Arte e a gostar dela. O gosto por aprender Arte nasce também da qualidade da mediação que os professores realizam entre ambos.
Como aluna de Artes Plásticas, depois de 16 anos de atuação na rede municipal e 23 anos de formação em Magistério, sei como é importante aprender e conhecer novos caminhos, pois, com tantos assuntos em voga ultimamente que podem vir a auxiliar o trabalho em sala, cito como exemplo às novas tecnologias, ou quem sabe, o uso de materiais recicláveis, que há tempos vem se discutindo nas escolas o tema “Ecologia”, então, por que não utilizá-los para desenvolver uma aula de Artes de qualidade, deixando de lado as aulas enfadonhas, onde os educandos já não demonstram interesse?
Segundo Iavelberg “o professor de arte precisa de vivências de criação pessoal em arte que lhe propiciem assimilação de conhecimentos técnicos para realizar a transposição didáticas nas situações de aprendizagem que envolvem o fazer, a apreciação e a reflexão sobre arte como produto cultural e histórico” (Iavelberg, 2003, p.52). E, como o ensino da Arte promove o desenvolvimento de competências, habilidades e conhecimentos necessários a diversas áreas de estudo, é necessário, portanto, que o professor seja habilitado para desempenhar a devida função.
Sendo assim, percebo que se faz necessário que o professor seja um “estudante” fascinado por Arte, pois só assim terá entusiasmo para ensinar e transmitir a seus alunos a vontade de aprender. Assim, um professor mobilizado para aprendizagem contínua, em sua vida pessoal e profissional, saberá ensinar essa postura a seus alunos. A formação do professor se intensifica à medida que ele se defronta com as situações reais de ensino e aprendizagem.

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