segunda-feira

MEDIAÇÃO E AÇÃO EDUCATIVA EM MUSEUS

Por Karoline Marianne Barreto

O assunto mediação e ação educativa sempre despertou meu interesse, antes mesmo de me tornar universitária de artes. Deveria ser o primeiro passo para qualquer pessoa interessada em arte adentrar este mundo maravilhoso, através de um contato intermediado, não com o intuito de decifrar a arte, mas de torná-la digerível, para qualquer público. Este “descobrimento” da arte pelo público me fascina. E creio com toda a fé que este é o melhor caminho, através de mediações e ações educativas eficientes.
O museu como produtor de conhecimento, um ambiente educacional não-formal que tem como público qualquer espectador, de qualquer contexto social, formou-se a partir da década de 60, reflexo dos embates durante a história da concepção de “museu”, e as mudanças de conceito no pós-2ª Guerra. Um ambiente que deveria, então, trabalhar com a pluralidade, um público que não é mais coadjuvante, mas sim um participante ativo e decisivo para a dinâmica da instituição. O processo de educação, no sentido mais amplo da palavra, se torna um desafio até os dias atuais.
Este processo, que nada pode ter de fixo, que tem de se movimentar de acordo com o contexto social do público, com o tema, adequar o tipo de fala, as informações que serão passadas, ter mediadores que assumam postura ética e segurança no diálogo com este visitante, enfim, uma ação educativa pautada em algum suporte pedagógico, por exemplo, e que em diversas linguagens visa atingir o maior público possível.
As atividades desenvolvidas pelas instituições devem ser as mais diversas e mutáveis, de acordo com o espectador, incluindo além do percurso da exposição, oficinas, palestras, materiais de apoio, para que esta ação educativa aconteça por completo.
A instituição tem um papel muito importante na preparação deste mediador, que desenvolve estes exercícios. É necessário, além do conhecimento artístico e histórico do assunto da exposição, conhecer também tudo que rege ao redor do museu: o contexto, os tipos de público, a quantidade, as regras de convivência, os outros funcionários, e deve ser uma pessoa adaptável e com fácil comunicação para se relacionar com os visitantes.
Os mediadores são parte do museu enquanto permanecem com o uniforme, ou dentro da instituição, sendo assim, a postura de comportamento é importante, é a imagem do museu que o mediador carrega, sendo assim, por serem, em sua maioria, universitários, a preparação deste item, portanto deve ser importante.
O primeiro passo para o mediador, quando em contato com o público, é de deixar claro a importância do museu com um espaço de experiências, de troca de informações através do acervo presente, seja ele itinerante ou permanente, e que a sua preservação também depende da sociedade, e os seus visitante devem fruir de suas obras e gerar conhecimentos. A instituição não pode ser alienada do contexto da cidade ou país, isso deve ser explicado ao visitante, se este visitante nunca havia estado em um museu. Por isso, o contexto do visitante também é relevante.
Uma relação singular é o museu - escola, os desafios aumentam. Em sua maioria as visitas acontecem raramente, e além da preparação do museu para recebê-los, a escola tem um papel importante, é preciso então, uma relação dialógica entre os dois espaços, relação que nem sempre acontece.
Alguns problemas das escolas estão na falta de vontade do diretor, coordenador e professor de tornar a visita mais produtiva, incluindo a visita no cotidiano da sala de aula e no calendário da escola, para que os alunos não sintam que o dia de visitar o museu é um dia atípico, de “passeio”, e conseqüentemente, um dia para euforia e lazer, somente.
O mais adequado é uma preparação em conjunto, para que o professor possa participar do trabalho nos espaços. Com certeza, assim o aluno sente esta integração dos dois. Como geralmente isso não acontece, o mediador precisa estar apto a percorrer exposições, aplicar oficina, para uma turma que está à passeio e provavelmente não vai dar continuidade ao trabalho em sala de aula, desde que, este mediador os instigue e as oficinas sejam interessantes.

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