segunda-feira

A ARTE E SEU VALOR

Por Janaína Camargo do Rosário

Quando visitamos museus, galerias de arte e bienais, a maioria das vezes nos questionamos sobre o valor das obras em exposição. Como sabemos, as artes são um meio de reflexo da sociedade, mas só as artes plásticas tem sua forma material como uma obra única.
As artes possuem seu valor particular, como o dinheiro tem seu valor na sociedade, nas artes plásticas a obra fica entre o valor objetivo e o subjetivo. Muitos artistas usam a cédula como ‘obra de arte’, desta forma tirando seu valor financeiro e tornando-o estético. Como exemplo o artista Waltércio Caldas na obra ‘Dinheiro para Treinamento’ de 1977, faz da sua obra uma forma de reflexão, ao desmistificar o dinheiro e torná-lo estético. Além de Waltércio, outros artistas como Andy Warhol que também utiliza cédulas de 1 dólar em sua obra ‘200 One Dollar Bills’ que foi leiloada pelo equivalente a $ 43,7 milhões nos EUA.
O mercado é quem dita as regras, o interesse que a obra gera em relação a sociedade vale mais para os especuladores, a fama é o que interessa hoje. Como o artista Damien Hirst, ele utiliza como suas obras animais flutuando no formol ou até mesmo uma caveira cravejada de diamantes.
Hoje o que gerou essa super valorização do artista é o sucesso que ele faz, muitos milionários compram suas obras pelo gosto que não é deles e sim para ter o poder em adquirir. Muitas vezes a obra tornou-se mercadoria, quando surge um valor financeiro para arte, que vai além da criatividade do artista ou da qualidade do trabalho realizado, se esvazia seu verdadeiro sentido, o poder de atingir nossa alma se perdeu. Hoje existem fundos de investimento para a arte, muitas pessoas não estão nem aí para quais são as obras ou o que elas significam, só querem um retorno financeiro. Assim, o dinheiro foi se tornando cada vez mais virtual e a arte cada vez mais conceitual.

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