segunda-feira

A DIFÍCIL INTEGRAÇÃO ENTRE O ERUDITO E O POPULAR

Por Gustavo Krelling

Dentro das questões das artes visuais, a questão que mais me incomoda, diz respeito ao preconceito em relação ao popular. A arte erudita muitas vezes se coloca num patamar acima das questões populares. Em minha pesquisa artística, estudo algo que é muito presente no imaginário brasileiro, o carnaval carioca. O popular é importantíssimo dentro da cultura de uma nação, ele revela identidade e mostra o pluralismo. Acredito que é através da questão popular que a arte pode atingir um número maior de pessoas e se tornar mais democrática.

Arantes define a cultura erudita da seguinte maneira:

“atividades especializadas que têm como objetivo a produção de um conhecimento e de um gosto que, partindo das universidades e das academias, são difundidos entre as diversas camadas sociais como os mais belos, os mais corretos, os mais plausíveis, etc.” (ARANTES, 1990, p.9)

Essa citação revela que a cultura erudita segue regras impostas por instituições, esse respeito por tais regras constitui a essência da produção da arte erudita. O erudito é o sujeito que tem acesso a informação, o oficial, indivíduo filho de uma classe social privilegiada, a elite da nação, em síntese, o Apolíneo.
A cultura popular pode ser definida como “uma cultura não oficial, a cultura da não elite” (BURKE, 1989, p.15), ou seja, uma cultura que não segue cânones nem regras. Uma cultura do dia-a-dia, da noite, dionisíaca.
A interação entre o erudito e o popular é relevante nos dias de hoje, pois integra conhecimentos provenientes de classes culturais e sociais diametralmente opostas. Em um país de extremas desigualdades como o Brasil isso se faz ainda mais necessário, pois o diálogo pode estreitar diferenças e banir preconceitos. No caso da arte e educação, pode aproximar o aluno da escola. A realidade dele será incorporada aos conteúdos, aproximando arte e vida, escola e dia-a-dia. Além disso, o professor de arte poder ser um auxiliador no “aprender a ver” de seus alunos. Ele pode avaliar o conteúdo estético que o aluno traz para sala de aula, através do diálogo visual mudar pontos de vistas e compreensões.

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