por Marta Pockrandt Gewehr
“Ao falar do meu trabalho, sinto que é mais de meu desejo que seja visto e tenha comunicado ou feito sentir alguma coisa.”
Anna Bella Geiger, Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 28/05/1965
Começo esse texto com a frase da artista plástica Anna Bella Geiger, que se destacou no campo das artes visuais a partir dos anos sessenta do século XX, no Brasil, pois acho interessante o caminho por ela percorrido da transição, na questão da utilização dos materiais e das linguagens. Ela expressa o pensamento e o objetivo de todo artista quando realiza um trabalho. Ela fazia desenhos e gravuras e se interessava mais por estas pelo fato de ser uma coisa reproduzível, multiplicável. Foi aluna de Fayga Ostrower entre 1950 e 1953 e nos anos cinqüenta a abstração, no Brasil, ganhava várias vertentes e Anna Bella entra na vertente do abstracionismo informal.
Os artistas informais não atuavam em grupos e não ditavam regras a serem seguidas, o que valia era a experiência individual, tinham uma preocupação intelectual, mas eram decorrentes da problemática colocada pelo seu próprio trabalho. Eles tinham uma independência. A questão da liberdade era fundamental. O abstracionismo informal foi resultado da ação do livre exercício da subjetividade do artista.
“Como decorrência dessa liberdade de ação não se pode determinar nenhuma relação definitiva entre os elementos plásticos da obra. Assim, a autonomia entre forma, cor, espaço é absoluta e a predominância de um destes elementos sobre os outros e função das intenções expressivas dos artistas que através de materiais e texturas, pictóricas ou gráficas, organizam plasticamente a obra. A ordem interna de cada trabalho decorre de necessidades expressivas e não princípios a priori.” (Abstracionismo Geométrico e Informal, RJ, 2004)
Nos anos sessenta, havia uma discussão conceitual entre obra única, objeto de valor comercial no mercado e objeto reproduzível, o que interessava Anna Bella. A partir daí a artista se destacou com suas gravuras viscerais, procurando romper com a problemática estética, dessa maneira dando um novo caráter ao espaço na gravura. Assim transformou e renovou sua linguagem.
Procurando produzir uma gravura mais simples e dinâmica no sentido de não utilizar-se dos procedimentos que chamamos "a cozinha da gravura", no qual a pesquisa da matéria a ser trabalhada é o que mais interessa, Anna Bella é instigada pela forma e pela estruturação do desenho. Caracterizando-se pelo informalismo, as formas são definidas construindo o espaço, há a exploração de texturas e liberdade de gestos. Em constante discussão com o espaço em suas obras, o material não a impede de nada, é ela que se impõe diante dele e o transforma.
Nos anos de 1964 e 1965, Anna Bella sente, percebe, experimenta e fragmenta esse corpo, recorta diretamente a chapa de metal, sendo coerente, dando uma organização plástica, fragmentando, rompendo o próprio espaço agora reconstruído por ela.
"Na escalada em que se encontra não lhe interessa a unidade formal da gravura, nem mesmo sua composição unida e, tampouco os aspectos decorativos da cor (...). O campo branco do papel invade o campo próprio da gravura e a partir deste tende a se separar como numa operação de cissiparidade, para ganhar autonomia no espaço real e se comportar nele como outros seres vivos” (Mário Pedrosa, 1967)
Segundo o critico de arte Fernando Cocchiarale, "O sentido da obra de Anna Bella Geiger emerge precisamente da clara dispersão de seu estilo individual, dos meios e linguagens que aciona e, sobretudo, da deliberada fragmentação de forma e imagem, quase sempre tematizada nos títulos ou conceitos associados aos trabalhos, perpassando todos os níveis da sua produção.” (livro Anna Bella Geiger: Constelações). Cocchiarale também diz perceber dois caminhos na produção da artista, um na figura humana e outro na paisagem, os quais são gêneros clássicos abordados e reformulados em suas obras.
Podemos dizer que Anna Bella Geiger está sempre em transformação, não se prende a uma única linguagem e explora os vários meios pelos quais pode se expressar. É por essa razão que a artista consegue romper com o que é tão característico de sua geração de artistas como, Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica. A investigação, as experimentações da forma e do conteúdo vivido ganham importância. Carrega consigo a herança dos abstracionistas informais, que só através dessa liberdade de produzir que pode ser tão versátil. Por isso acho de grande importância conhecer um pouquinho da história dessa artista.
“Ao falar do meu trabalho, sinto que é mais de meu desejo que seja visto e tenha comunicado ou feito sentir alguma coisa.”
Anna Bella Geiger, Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 28/05/1965
Começo esse texto com a frase da artista plástica Anna Bella Geiger, que se destacou no campo das artes visuais a partir dos anos sessenta do século XX, no Brasil, pois acho interessante o caminho por ela percorrido da transição, na questão da utilização dos materiais e das linguagens. Ela expressa o pensamento e o objetivo de todo artista quando realiza um trabalho. Ela fazia desenhos e gravuras e se interessava mais por estas pelo fato de ser uma coisa reproduzível, multiplicável. Foi aluna de Fayga Ostrower entre 1950 e 1953 e nos anos cinqüenta a abstração, no Brasil, ganhava várias vertentes e Anna Bella entra na vertente do abstracionismo informal.
Os artistas informais não atuavam em grupos e não ditavam regras a serem seguidas, o que valia era a experiência individual, tinham uma preocupação intelectual, mas eram decorrentes da problemática colocada pelo seu próprio trabalho. Eles tinham uma independência. A questão da liberdade era fundamental. O abstracionismo informal foi resultado da ação do livre exercício da subjetividade do artista.
“Como decorrência dessa liberdade de ação não se pode determinar nenhuma relação definitiva entre os elementos plásticos da obra. Assim, a autonomia entre forma, cor, espaço é absoluta e a predominância de um destes elementos sobre os outros e função das intenções expressivas dos artistas que através de materiais e texturas, pictóricas ou gráficas, organizam plasticamente a obra. A ordem interna de cada trabalho decorre de necessidades expressivas e não princípios a priori.” (Abstracionismo Geométrico e Informal, RJ, 2004)
Nos anos sessenta, havia uma discussão conceitual entre obra única, objeto de valor comercial no mercado e objeto reproduzível, o que interessava Anna Bella. A partir daí a artista se destacou com suas gravuras viscerais, procurando romper com a problemática estética, dessa maneira dando um novo caráter ao espaço na gravura. Assim transformou e renovou sua linguagem.
Procurando produzir uma gravura mais simples e dinâmica no sentido de não utilizar-se dos procedimentos que chamamos "a cozinha da gravura", no qual a pesquisa da matéria a ser trabalhada é o que mais interessa, Anna Bella é instigada pela forma e pela estruturação do desenho. Caracterizando-se pelo informalismo, as formas são definidas construindo o espaço, há a exploração de texturas e liberdade de gestos. Em constante discussão com o espaço em suas obras, o material não a impede de nada, é ela que se impõe diante dele e o transforma.
Nos anos de 1964 e 1965, Anna Bella sente, percebe, experimenta e fragmenta esse corpo, recorta diretamente a chapa de metal, sendo coerente, dando uma organização plástica, fragmentando, rompendo o próprio espaço agora reconstruído por ela.
"Na escalada em que se encontra não lhe interessa a unidade formal da gravura, nem mesmo sua composição unida e, tampouco os aspectos decorativos da cor (...). O campo branco do papel invade o campo próprio da gravura e a partir deste tende a se separar como numa operação de cissiparidade, para ganhar autonomia no espaço real e se comportar nele como outros seres vivos” (Mário Pedrosa, 1967)
Segundo o critico de arte Fernando Cocchiarale, "O sentido da obra de Anna Bella Geiger emerge precisamente da clara dispersão de seu estilo individual, dos meios e linguagens que aciona e, sobretudo, da deliberada fragmentação de forma e imagem, quase sempre tematizada nos títulos ou conceitos associados aos trabalhos, perpassando todos os níveis da sua produção.” (livro Anna Bella Geiger: Constelações). Cocchiarale também diz perceber dois caminhos na produção da artista, um na figura humana e outro na paisagem, os quais são gêneros clássicos abordados e reformulados em suas obras.
Podemos dizer que Anna Bella Geiger está sempre em transformação, não se prende a uma única linguagem e explora os vários meios pelos quais pode se expressar. É por essa razão que a artista consegue romper com o que é tão característico de sua geração de artistas como, Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica. A investigação, as experimentações da forma e do conteúdo vivido ganham importância. Carrega consigo a herança dos abstracionistas informais, que só através dessa liberdade de produzir que pode ser tão versátil. Por isso acho de grande importância conhecer um pouquinho da história dessa artista.
q merda vcs ñ explicam merda nenhumma!
ResponderExcluirEu quero uma explicação melhor para o trabalho de Anna Bella Geiger!
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